O que vim mapear aqui...

Mapeando meus sentidos e rabiscando impressões.

"Porque tu sabes que é de poesia, minha vida secreta..."(De Ariana para Dionísio)
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A vida é agora






"acho que a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim e por falar em sexo, quem anda me comendo é o tempo, na verdade faz tempo. Mas eu escondia porque ele me pegava à força e por trás, um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo se você tem que me comer que seja com o meu consentimento e me olhando nos olhos acho que ganhei o tempo de lá pra cá ele tem sido bom comigo dizem até que ando remoçando."


(Viviane Mosé)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Crimes de um querer





"E se já não sinto teus sinais, 
pode ser da vida acostumar."
(Los Hermanos)


O azul e a imensidão do mar passaram o dia de mãos dadas comigo.
Tropeçei, brevemente, num espaço de lucidez. 
Virei sereia, brinquei de conchinhas, contei grãos de areia.
Expulsei os remorsos, sem proteção contra os vitupérios do meu querer, assimilei a pertubação (depois de ter sonhado com você na noite anterior), engoli meu rubor.
Me vesti de chita e fui me purificar dos crimes do amor.
Minha saudade que tenta recuperar detalhes, imaginou um beijo distraído e um abraço em marcha lenta.
"Difícil é dar o primeiro passo para trás." (Fabricio Carpinejar)
Nas minhas razões de última hora, perco a razão pra justificar o que desejo.
E já não me importo, há uma ponta de conforto no meio dessa estranheza toda.
Vou ter um treco e nada vai acontecer? 
De perna bamba, queixo caído ou sem voz, conseguirei olhar seus sons? Sumir na sua fala, me embrenhar nos seus braços?
Sem o poder de prever, o susto que quero ter é de ternura.
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"Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa"
(Acioli Neto - A natureza das coisas)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ao nosso som

"Quem és tu que me lês?
És o meu segredo ou sou eu o teu?"
(Clarice Lispector)


Sons e gestos. Silêncio, respiração próxima, olhares desviados.
Sem motivo, a pele esbarra.
Como numa cena improvavel, noto você.
E me percebo em você, em seus gestos. E eu que ando desaparecida das coisas do amor,
finjo que não notei sua doçura, suas palavras quase gaguejantes e vacilantes diante do meu olhar.
Qual operário, finge normalidade como o faz no cotidiano.
Devaneio com as impossibilidades, perco a lucidez por segundos, me imagino te desvendando.
Os tons são fortes, os sons incertos.
Devo ter te inventado, pus adereços e me dei por feliz.
Estava pronto o que precisava pra me agradar, entreter, interessar.
Sem meias verdade, nem mentiras que brincam de dizer o que querem. Só de uma coisa tenho certeza: você é minha alegria mais dançante, meu querer mais sonoro.
Tateio seus sinais.
Finjo desleixo.
Ponho meus desejos no papel, depois os esqueço. Visto flores e saio pra passear.
Sempre escrevi mais quando estava triste ou muito apaixonada, agora, escrevo por pura alegria.
"Feito estar doente de uma folia..."(Chico Buarque)
Sem medo de perder o sentido das coisas aqui dentro, me pergunto: "Minhas palavras, talvez você leia, e meu olhar: Que tecnologia usará pra percebê-lo?"



Ouve-me, ouve o meu silêncio.
O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa.
Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso."
(Clarice Lispector)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O futuro é agora


"A depender de mim
Os psicanalistas estão fritos
Eu mesmo é que resolvo os meus conflitos
Com aspirina amor ou com cachaça"
(Zeca Baleiro)


A impressão que eu tenho é que a manchete desse jornal é andrógina.
E eu que já não sei viver sem qualquer coisa que me roube o real, seja lá o que isso for, me perco nas entrelinhas deste querer duvidoso. Na realidade sem poço, me agarro ao presente e faço dele meu melhor momento. 
O Céu é aqui.
Escrevo pra dentro, pra que ninguem leia minhas entrelinhas. Meu mistério, nem eu desvendo com clareza.


"Cansei de ser duro, vou botar minha alma a venda." (Zeca baleiro)


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Com Alegria


"Nunca funcionou a purificação pelo sofrimento,
eu fiquei mais ressentido. 
A alegria é que me refina." (Carpinejar)



Imagem de Ouro Branco, cidade que mais me encantou pela beleza e pela receptividade das pessoas.
Lá, foram as alegrias que me refinaram.
Tem hora que só confusão, cansa. Ando cansada dessa viagem, sonhando em voltar pra casa e realizar outras coisas. Vontade de me libertar de tudo que não está me fazendo bem. Poder ir almoçar onde e com quem eu quiser, decidir sobre o meu dia sem que isso pareça arbitrariedade.
Essa tal purificação pelo sofrimento anda me consumindo mais do que deveria.
Quero mesmo, é a alegria de viver. 
De volta.





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Ana Paula, 08.nov.2010, as 12:45h de um sol escaldante em Agua Branca, apesar do ventinho que sopra leve.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Meu sertão vira mar...

                                           Rio Ipanema, Batalha - AL.Créditos: Pedro Belasco 



 "Arrisquei muita braçada na esperança de outro mar;
Hoje sou carta marcada;
Hoje sou jogo de azar"
(Chico Buarque)


No meio do sertão tem um rio que vira cachoeira.
E aqui dentro tem um coração silvestre que continua sem prumo.
Depois da agua que inundou meus olhos e minha emoção, olhei pras estrelas a minha procura. 
O que encontrei tem se perguntado o que ando fazendo dos meus sonhos, da vida, dos meus desencantos.
Ando cambaleante nas respostas que preciso da vida.


"A vida é um soco no estômago." (Clarice Lispector)

E é aqui no meio desse mar revolto, que as confusões das pessoas se misturam com as minhas.
Se nossas ideias já não são as mesmas, há de ter algo pra gente aprender no meio disso tudo. Eu só quero poder viver, mergulhar nesse mar, me perder e me achar.
Entender que todo o sentimento de viver é descobrir a cada momento o que nos restaura. Aquilo que devolve agua pro nosso sertão e nos desagua num momento seguinte melhor que o anterior.
O que é que estou fazendo aqui, afinal, se toda essa beleza não servir pra eu aprender algo mais significativo sobre a vida? 
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Ana Paula, 01.Nov.2010, 23:16h. Cansada dos excessos. Quero a plenitude de viver cada instante com consciência dos meus atos, sentimentos e emoções.



Cachoeira no sertão, Povoado de Timbaúba. Batalha - AL Créditos: Pedro Belasco   






 

domingo, 31 de outubro de 2010

Meu poente

                                             Créditos da foto: Pâmela Guimarães/Alagoas Colaborativo

"O tempo que antecipa o fim
Também desata os nós
Quem sabe soletrar adeus
Sem lágrimas, nenhuma dor"
(Ney Matogrosso)



Quando o sol do meu querer se põe, percebo a diferença que havia no meu desejo.
Já não sei fingir.
O que quero mesmo é afeto desmedido, loucura sem abandono, pertencer sem me perder.
Ando me pondo antes do sol e descobrindo que sou mais eu do que sou você em mim.
As malas sempre estiveram prontas, só me resta ir.

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Ana Paula, 31.Out.2010, 17:15h. Onde finda um mês, fica pra trás também, um querer inoportuno.
afinal, já não sei viver longe de mim. E o que sonho, ainda permeia minhas melhores escolhas. 


sábado, 30 de outubro de 2010

De cara pro ar






"Não me importa saber se é terrível demais;
Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz"
(Chico Buarque)

Depois do silêncio quase constrangendor do Rio Tatuamunha, onde estive visitando o Projeto Peixe Boi, o lugar mais fantástico que visitei até agora, durante esta expedição colaborativa, foi a vista do alto da Serrinha, em Batalha-AL. 
Minha alma se expôs de emoção diante daquele pôr-do-sol.
Foi naquele instante que entendi como as coisas mais belas e os momentos mais extasiantes que temos a oportunidade de viver não podem ser nossos como desejamos. Não podemos possuir as coisas, nem as pessoas, nem nos agarrar as situações que amamos. Podemos vivê-las. Apenas. 
Derreternos diante da emoção do momento. Elas aparecem encantadoras e desaparecem diante dos nossos olhos e quanto mais tentamos detê-las, mais elas escorrem por entre os dedos. 
Só é preciso sentir. Consumar o momento. O tempo de amar sempre vai ser urgente, porque ele é súbito. 
Fiquei de cara pro ar, pra beleza daquele momento. 
Não agarrei, nem tentei possui-lo. Mas o registrei na memória da minha emoção, através das lentes e no amor que senti naquele instante. Um amor mais sentido que guardado.
E eu, que andava descrentes das emoções da vida, sou resgatada por um pôr-do-sol sereno, silencioso, profundo.
E o mundo inteiro pareceu pequeno diante do amor que me vi pronta pra sentir.
Já chega de digladiar com o amor, essa batalha, eu só quero vencer se puder morrer antes.
Nos braços de um bem querer.


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Ana Paula, 30.Out.2010, 18:46h. Hora de viver cada minuto com a certeza que ele é único.


sábado, 23 de outubro de 2010

Além do que se vê



Indo sem voltar, é o que parece esse caminho que decidi trilhar.
E meu olhar já não aponta direções claras. E nada do que vivo se parece com o real.
Terei  me perdido no meio do caminho?

domingo, 17 de outubro de 2010

O que os olhos sentem.

Fim de tarde em Japaratinga. Créditos: Paula Montenegro.  

"Quem és tu que me lês? És o meu segredo ou sou eu o teu?"
(Clarice Lispector)

Minhas impressões estavam abandonadas. Andava mapeando pouco minhas emoções.
Entreguei meu blog a própria sorte, como se eu mesma pudesse entregar-me a ela.
Há de ter menos azar, quem tem sorte?
Vai saber...
Tem muita dor neste riso todo a minha volta.
E uns ditos populares que nunca farão parte da impressão coletiva deste meu querer.
Sem novos nem velhos amores tortos.
Apenas impressões falsas.
Meus olhos andam lacrimejando menos e sentindo mais.


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17.out.2010, num horário de verão que me deixa invernal.