O que vim mapear aqui...

Mapeando meus sentidos e rabiscando impressões.

"Porque tu sabes que é de poesia, minha vida secreta..."(De Ariana para Dionísio)
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Luz Negra




"A luz negra de um destino cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde estou representando o papel
De palhaço do amor"
(Nelson Cavaquinho / Amâncio Cardoso)
Vi seu olhar, percebi seus sentidos.
Minha saudade era só minha, você já tem um amor?
E eu cambaleio diante das nossas emoções, tropeço e esbarro nas impressões que não soube maldizer.
Meu tom não é o seu.
Todo aquele mistério corre em céus contrários, como se eu não tivesse sentido esse querer.
Te olhei sem pertubação, com um certo atraso no sentir. Hesitei diante de nós dois, esquivos, sem assunto...
Desvendei os mistérios deste desejo.
Poupei o vexame desse amor nascer tão cedo, desmanchei o que não era meu.
Depois que te enxerguei de verdade, voei mais baixo, te senti de verdade, corri pros meus braços.
Meu lugar é aqui, onde me sinto parte da história e não apenas inventora dela. 
E de todas as coisas que tinha pra lhe dizer, sobrou o que era inútil. 
Apaguei a luz negra, amanhece um novo dia.
Você já me esqueceu? (ver música no post anterior)

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Crimes de um querer





"E se já não sinto teus sinais, 
pode ser da vida acostumar."
(Los Hermanos)


O azul e a imensidão do mar passaram o dia de mãos dadas comigo.
Tropeçei, brevemente, num espaço de lucidez. 
Virei sereia, brinquei de conchinhas, contei grãos de areia.
Expulsei os remorsos, sem proteção contra os vitupérios do meu querer, assimilei a pertubação (depois de ter sonhado com você na noite anterior), engoli meu rubor.
Me vesti de chita e fui me purificar dos crimes do amor.
Minha saudade que tenta recuperar detalhes, imaginou um beijo distraído e um abraço em marcha lenta.
"Difícil é dar o primeiro passo para trás." (Fabricio Carpinejar)
Nas minhas razões de última hora, perco a razão pra justificar o que desejo.
E já não me importo, há uma ponta de conforto no meio dessa estranheza toda.
Vou ter um treco e nada vai acontecer? 
De perna bamba, queixo caído ou sem voz, conseguirei olhar seus sons? Sumir na sua fala, me embrenhar nos seus braços?
Sem o poder de prever, o susto que quero ter é de ternura.
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"Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa"
(Acioli Neto - A natureza das coisas)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fome



"Ria de mim, mas estou aqui parada,

bêbada, pateta e ridícula,
só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor.”
(Caio Fernando Abreu)



Outro dia, alguem disse que pra escrever era preciso “apagar o cigarro no peito, diz pra ti o que não gostas de ouvir, diz tudo” (Gabriel de Brito Velho).
Tenho pensado sobre esse fogo no peito, essa cicatriz que confessa. Ando com saudades de mim. Daquelas que doem. Saudades do que sou e do que é verdade apenas para mim. Sem me por no lugar de ninguem, sem os bens valiosos impostos. A vocação do lar não me atrai, apenas o colo do amor. Aquele amor sem maquiagem, sem roupa de festa ou mascara de bom partido. Somente o afeto desmedido, as gargalhadas livres, os abraços apertados, o amor no olhar.
Ando com saudades do que deixei se perder aqui dentro e que anda me matando de fome. Enquanto me vejo passar na vitrine, não reconheço nada do que desejo. Só os passos cambaleantes na direção contrária.
E minha crença nesse intinerário é o que ainda me conduz pro meu mar de ilusões. Sem me importar nem lamentar os ensaios de vida que minha fome alimenta.
Uma hora, toda essa ânsia esfomeada há de seguir outro rumo, muda de direção.
E essa dor que queima sem confissão, deixa uma cicatriz cheia de ensinamentos.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ganhando asas

                                                                      Photo By Ana Paula Montenegro



"Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz."
(Clarice Lispector)



Amanheci em paz, com a musicalidade em mim.
Cantarolava pelas ruas: "Acorda Maria Bonita, acorda vem fazer o café..." Na voz de Monique Kessous, cantora carioca que passei a ouvir recentemente.
Entre a vontade de dar o fora e tocar os sonhos pra frente, ainda cambaleio diante do que não me faz bem.
Mas a vontade de realizar as coisas, de focar no que eu decidi fazer da vida a partir de agora é o principal centro das minhas decisões.
Fora isso, rondam a emoção, a sensibilidade, aquele soco no estômago que é a vida. (Parafraseando C.Lispector).
Hoje, lavei uma sequela de tristeza e aflição que andavam rondando. Fui sincera, falei as claras. Abri o jogo, sem jogar. 
Amanha viajo pra terceira etapa deste projeto que estou trabalhando, ganho o mundo e o inesperado.
Quando voltar, quero voltar a pedalar. Arrebatar minha tristeza do corpo ganhando asas sobre o pedal.
Nessa roda sem ciranda, aprendi a cantarolar o que me alegra e a transformar minhas emoções em aprendizado. É fácil. Quase como chupar cana e assobiar ao mesmo tempo.
Eu sou teimosa, chego lá.
Vamos embora que já está raiando um novo dia, uma nova realidade.
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Ana Paula, 24.Nov.2010, 13:46h, hora de arrumar as malas e refazer o caminho da alegria, da descoberta e de andar de mãos dadas com o que não nos espera.

domingo, 31 de outubro de 2010

Meu poente

                                             Créditos da foto: Pâmela Guimarães/Alagoas Colaborativo

"O tempo que antecipa o fim
Também desata os nós
Quem sabe soletrar adeus
Sem lágrimas, nenhuma dor"
(Ney Matogrosso)



Quando o sol do meu querer se põe, percebo a diferença que havia no meu desejo.
Já não sei fingir.
O que quero mesmo é afeto desmedido, loucura sem abandono, pertencer sem me perder.
Ando me pondo antes do sol e descobrindo que sou mais eu do que sou você em mim.
As malas sempre estiveram prontas, só me resta ir.

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Ana Paula, 31.Out.2010, 17:15h. Onde finda um mês, fica pra trás também, um querer inoportuno.
afinal, já não sei viver longe de mim. E o que sonho, ainda permeia minhas melhores escolhas. 


sábado, 30 de outubro de 2010

De cara pro ar






"Não me importa saber se é terrível demais;
Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz"
(Chico Buarque)

Depois do silêncio quase constrangendor do Rio Tatuamunha, onde estive visitando o Projeto Peixe Boi, o lugar mais fantástico que visitei até agora, durante esta expedição colaborativa, foi a vista do alto da Serrinha, em Batalha-AL. 
Minha alma se expôs de emoção diante daquele pôr-do-sol.
Foi naquele instante que entendi como as coisas mais belas e os momentos mais extasiantes que temos a oportunidade de viver não podem ser nossos como desejamos. Não podemos possuir as coisas, nem as pessoas, nem nos agarrar as situações que amamos. Podemos vivê-las. Apenas. 
Derreternos diante da emoção do momento. Elas aparecem encantadoras e desaparecem diante dos nossos olhos e quanto mais tentamos detê-las, mais elas escorrem por entre os dedos. 
Só é preciso sentir. Consumar o momento. O tempo de amar sempre vai ser urgente, porque ele é súbito. 
Fiquei de cara pro ar, pra beleza daquele momento. 
Não agarrei, nem tentei possui-lo. Mas o registrei na memória da minha emoção, através das lentes e no amor que senti naquele instante. Um amor mais sentido que guardado.
E eu, que andava descrentes das emoções da vida, sou resgatada por um pôr-do-sol sereno, silencioso, profundo.
E o mundo inteiro pareceu pequeno diante do amor que me vi pronta pra sentir.
Já chega de digladiar com o amor, essa batalha, eu só quero vencer se puder morrer antes.
Nos braços de um bem querer.


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Ana Paula, 30.Out.2010, 18:46h. Hora de viver cada minuto com a certeza que ele é único.


sábado, 23 de outubro de 2010

Além do que se vê



Indo sem voltar, é o que parece esse caminho que decidi trilhar.
E meu olhar já não aponta direções claras. E nada do que vivo se parece com o real.
Terei  me perdido no meio do caminho?

domingo, 17 de outubro de 2010

O que os olhos sentem.

Fim de tarde em Japaratinga. Créditos: Paula Montenegro.  

"Quem és tu que me lês? És o meu segredo ou sou eu o teu?"
(Clarice Lispector)

Minhas impressões estavam abandonadas. Andava mapeando pouco minhas emoções.
Entreguei meu blog a própria sorte, como se eu mesma pudesse entregar-me a ela.
Há de ter menos azar, quem tem sorte?
Vai saber...
Tem muita dor neste riso todo a minha volta.
E uns ditos populares que nunca farão parte da impressão coletiva deste meu querer.
Sem novos nem velhos amores tortos.
Apenas impressões falsas.
Meus olhos andam lacrimejando menos e sentindo mais.


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17.out.2010, num horário de verão que me deixa invernal.